Eu sou apaixonada por compartilhar conteúdo sobre perfil. E esse assunto tem grande relevância porque a partir dele é que obtemos resultados concretos no dia a dia. Falando em perfil, você já pensou que há, dentro da serventia, um perfil que mais (ou melhor) atinge resultados?

Já observou por um instante os seus colaboradores e percebeu que tem um ou dois que, se você pudesse, gostaria de replicar?

E se todos fossem iguais a eles?

Isso acontece porque houve um encontro mágico de alguns elementos bastante importantes. São eles:

  • Perfil de vaga (descrição, características, necessidades) x Perfil do Colaborador (comportamentos, habilidades, motivação);
  • Cultura da Serventia x Cultura do Colaborador;

Quando esses elementos se encontram, temos a tão sonhada produtividade fluindo, com baixo esforço (baixo, comparado ao esforço que se faz para concluir tarefas de que não se gosta), com um baixo emprego de energia. Não quer dizer que se trabalhe menos, por vezes, se trabalha até mais, mas não é pesado, não é moroso, há muito menos – ou quase nenhuma, procrastinação.

Mas promover o alinhamento total desses elementos pode ser bastante desafiador, principalmente se, ainda não estamos habituados a observar.

Por esse motivo elenquei algumas dicas práticas para facilitar a percepção e o alinhamento que é necessário para modelar um time produtivo:

Primeira dica prática desse artigo, é imprescindível que você, titular, assuma a posição de observador (estimule seus substitutos a fazerem o mesmo) e observe seus colaboradores em suas atividades diárias. Nesse processo de observação é importante perceber:

  • o que o colaborador desempenha com facilidade?
  • quais atividades são mais rápidas e quais levam mais tempo?
  • como é a interação com os colegas?

Depois, é importante observar as características dos colaboradores: conversam mais ou menos? Fazem mais trabalhos em grupo ou individualmente? Ficam absorvidos em uma única tarefa ou tem facilidade para dar atenção a vários pequenos detalhes em atividades distintas?

A reunião dessas informações vai trazer maior clareza sobre o perfil que melhor se adapta nas atividades e cargos existentes na serventia.

Com essas observações em mãos, você começará a enxergar padrões que talvez ainda não estivessem claros. Vai perceber, por exemplo, que aquele colaborador que tem um ritmo mais acelerado e gosta de resolver várias coisas ao mesmo tempo tende a se sair melhor em funções que exigem agilidade, execução de tarefas rápidas ou gestão de demandas simultâneas. Já aquele outro, mais concentrado, detalhista e silencioso, pode ter excelente desempenho em atividades que exigem análise minuciosa, conferência de documentos e precisão técnica.

Essa leitura de perfis é um verdadeiro mapa de produtividade — e quanto mais você se dedica a conhecê-los, mais assertivas serão suas decisões sobre distribuição de tarefas, seleção de novos colaboradores e desenvolvimento da equipe.

Mas atenção: conhecer o perfil não é rotular. Pelo contrário, é abrir espaço para potencializar talentos. Quando você entende o perfil comportamental de cada colaborador, pode alinhar desafios e expectativas de forma justa, humana e estratégica. E isso, dentro das serventias, é ouro. Porque quando o colaborador certo está no lugar certo, a serventia ganha ritmo, leveza e resultados
consistentes.

Segunda dica prática: Faça um cruzamento entre as atividades essenciais da serventia e os perfis mais adequados a cada uma. Isso ajuda a definir melhor as funções, reorganizar fluxos de trabalho e até repensar contratações futuras.

Terceira dica prática: Promova conversas francas e breves sobre o que motiva cada colaborador da sua equipe. Muitas vezes, pequenos ajustes — como alternar tipos de tarefa ou ajustar prazos — já aumentam o engajamento e reduzem o retrabalho.

Nos trabalhos que desenvolvo, gosto de frisar a importância de observar, abrir diálogos e, com esses dados desenhar estratégias que sejam sob medida para a sua realidade. Podemos ter muitas referências e modelos, mas nada será mais assertivo do que compreender de maneira clara as necessidades da sua serventia e o potencial do time.

Por fim, lembre-se: liderar é, antes de tudo, compreender pessoas. Quando o titular desenvolve o olhar atento ao perfil dos seus colaboradores, ele transforma a gestão deixando-a mais leve, estratégica e humana — e esse é o caminho para uma serventia mais produtiva, sustentável e harmoniosa.

Fonte: Jornal do Notário

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