Com novos fundos e parceria com o Banco Mundial, instituição apresenta ecossistema que integra crédito, dados e governança

A participação do Banco da Amazônia na COP30 marcou uma inflexão na agenda de financiamento regional: a transição do debate teórico para a estruturação financeira prática. Ao longo de duas semanas, o pavilhão da instituição na Green Zone funcionou como um hub, recebendo cerca de 30 mil visitantes e sediando 52 debates que conectaram o público à realidade operacional da floresta.

Estratégia financeira e novos fundos

O balanço final da conferência destaca uma estratégia sistêmica, desenhada para mitigar riscos e destravar o capital privado. O movimento mais expressivo foi o anúncio, dias antes do início oficial, de um aporte de R$ 500 milhões em recursos próprios para atuar como capital catalisador (equity semente) em três novos fundos ESG.

A meta é alavancar esses recursos para mobilizar até R$ 4 bilhões até o final de 2026, direcionando para a bioeconomia, crédito de carbono e infraestrutura verde.

Parcerias internacionais e transição energética

Na frente internacional, a instituição confirmou estar em fase final de formalização de uma operação de crédito de US$ 100 milhões junto ao Banco Mundial, com garantia soberana da União.

O recurso tem destino estratégico: acelerar a transição energética na Amazônia Legal, financiando projetos de energia solar, biomassa e redes híbridas para substituir a geração a diesel em áreas isoladas, um dos maiores custos operacionais e ambientais da região.

Para dar segurança ao investidor, a agenda também trouxe dados e governança. O banco posicionou-se como um think tank regional, lançando estudos que servirão como importantes ferramentas de apoio às tomadas de decisão.

Um diagnóstico realizado em parceria com a ABDE e a Agência Francesa de Desenvolvimento mapeou 159 mecanismos de financiamento, revelando os desafios na sociobioeconomia.

Outro levantamento, feito pela Universidade Federal de Viçosa, mostrou que há correlação entre o FNO Verde e a redução do desmatamento, validando o impacto das políticas de crédito.

A segurança jurídica também foi pauta. A instituição reforçou a adoção de padrões globais de governança e análise de risco socioambiental, garantindo que o fomento seja um indutor de boas práticas e não financie atividades que pressionem a floresta.

Capilaridade e execução na ponta

A visão de mercado foi complementada pela execução na ponta. Entendendo que a capilaridade é essencial, a instituição lançou soluções como o Cartão Verdinho e a Maquininha Verdinha de adquirência próprias, digitalizando a economia local e permitindo que o microempreendedor acesse o sistema financeiro formal.

“Enquanto o mundo discute os compromissos, nós apresentamos os projetos prontos e a arquitetura financeira para executá-los”, resumiu o CEO do Banco da Amazônia, Luiz Lessa.

Fonte: Exame

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