Em dezembro, chega ao fim o mandato de Giselle Oliveira de Barros à frente do Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal. E, ao olhar para esse encerramento, torna-se inevitável refletir sobre a dimensão da transformação que sua gestão imprimiu ao notariado brasileiro. Há administrações que mantêm estruturas. Outras que promovem avanços. A dela não apenas avançou: revolucionou.
Giselle assumiu a presidência em 2020, exatamente quando o país enfrentava um dos maiores desafios de sua história recente. Enquanto muitos setores se paralisavam diante da crise, o notariado brasileiro, sob sua liderança, deu um salto tecnológico sem precedentes. Esse resultado não foi circunstancial, nem fruto de oportunidade; foi consequência direta de um projeto claro, decisões firmes e da rara capacidade de enxergar o futuro mesmo em meio à adversidade.
Sob sua gestão, o e-Notariado se consolidou como o maior movimento de digitalização já realizado pelos serviços notariais no Brasil. Hoje parece natural celebrar escrituras, procurações, separações, inventários, autenticações e contratos por videoconferência, com
certificação digital e fé pública – mas essa naturalidade só existe porque alguém abriu o caminho. E esse alguém foi ela.
O reconhecimento de firma por autenticidade à distância, o Certificado Digital Notarizado, o e-Not Assina, a aplicação de blockchain para garantir integridade dos atos, as bases de consulta como o CEP e o CENAD, além da integração inédita com o Registro de Imóveis Digital, compõem um conjunto de entregas que confirmou, na prática, a capacidade do Brasil de se afirmar como referência mundial em segurança jurídica digital.
Sua atuação também abriu espaço para iniciativas envolvendo inteligência artificial e levou o modelo brasileiro a fóruns internacionais, incluindo apresentações no Banco Mundial – ocasiões em que o país foi destacado como um dos líderes globais em desjudicialização, digitalização e inovação notarial.
Não é exagero afirmar que o notariado brasileiro avançou décadas em poucos anos. E esse avanço teve direção, planejamento e, sobretudo, liderança. Por isso, o legado de Giselle não pertence apenas ao CNB/CF: pertence ao país.
Com o encerramento formal da gestão em dezembro, fica a sensação de que um ciclo se completa – mas não se encerra. As bases lançadas por ela continuarão impulsionando o setor pelos próximos anos, porque seus resultados não foram circunstanciais: foram estruturais.
Ficam aqui nossos sinceros agradecimentos por tudo o que entregou ao notariado brasileiro e aos serviços extrajudiciais do Brasil. Seu impacto permanece, seu exemplo inspira e sua liderança continuará ecoando em cada avanço que o setor ainda conquistará.
Fonte: Jornal do Notário


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