Estilista italiano determinou que os herdeiros devem vender 15% da grife italiana em até 18 meses, depois uma fatia de 30% a 54,9% deve ser transferida para o mesmo comprador em um prazo de 3 a 5, e como alternativa, abertura de capital
O testamento do falecido estilista italiano Giorgio Armani surpreendeu o mercado ao instruir seus herdeiros a venderem gradualmente a grife que ele criou há 50 anos ou a buscarem uma listagem na bolsa de valores.
A instrução marca uma reviravolta surpreendente para uma empresa que sempre foi extremamente protetora de sua independência e de suas raízes italianas.
O documento, revelado pela Reuters, nomeia especificamente as gigantes francesas LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica como compradoras prioritárias.
Giorgio Armani, que faleceu na última semana aos 91 anos e não deixou filhos, detalhou um processo de venda em fases. O testamento determina que os herdeiros devem vender uma fatia inicial de 15% da grife italiana em até 18 meses.
Posteriormente, uma participação adicional de 30% a 54,9% deve ser transferida para o mesmo comprador em um prazo de três a cinco anos após sua morte.
Como alternativa, o documento sugere a abertura de capital da empresa.
A EssilorLuxottica, uma das empresas citadas, já reagiu à notícia. Um porta-voz afirmou que a companhia está “orgulhosa da consideração” e que “avaliará cuidadosamente tal perspectiva de desenvolvimento”, citando os laços profundos já existentes entre os dois grupos.
A EssilorLuxottica fabrica os óculos da marca Armani sob um acordo de licenciamento desde 1988.
O controle da empresa, neste período de transição, ficará nas mãos da Fondazione Giorgio Armani e de Pantaleo Dell’Orco, parceiro de vida e de negócios de Armani. Juntos, eles terão 70% dos direitos de voto no grupo. O testamento estipula que, em caso de um IPO, a fundação deverá reter uma participação de 30,1%.
A decisão póstuma do estilista contrasta fortemente com sua recusa persistente, ao longo dos anos, em diluir seu controle ou listar seu grupo na bolsa, tendo recebido e rejeitado diversas propostas no passado, inclusive de John Elkann, herdeiro da família Agnelli, e da Gucci.
A Armani, da qual o estilista era o único grande acionista, gerou uma receita de 2,3 bilhões de euros em 2024, mas viu seus lucros encolherem em meio a uma recessão geral no setor de luxo.
Fonte: Valor Econômico


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