Carbon Countdown, projeto de Petrobras e Shell, vai mapear estoques de carbono em todos os biomas brasileiros

A Petrobras e a Shell Brasil estão investindo mais de R$ 100 milhões no Carbon Countdown, uma iniciativa que promete criar a base científica mais completa já produzida sobre os estoques de carbono no Brasil. O projeto, lançado em dezembro, deve se estender por cinco anos e abrange todos os seis biomas terrestres do país.

O Carbon Countdown vai realizar o maior inventário do tipo já feito no Brasil. Serão 6.500 áreas demarcadas, com mais de 250 mil amostras de solo, um número ainda maior de amostras de vegetação e outras 400 mil amostras de atributos complementares.

O trabalho vai medir os estoques de carbono acima e abaixo do solo na Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.

O investimento vem da Cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) prevista nos contratos de exploração e produção de óleo e gás, com aplicação regulada pela ANP. A execução fica sob responsabilidade da Esalq/USP, com participação de universidades e centros de pesquisa de todas as regiões do país.

Metodologia e transparência

O projeto adota metodologias reconhecidas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, estabelecendo o que as empresas chamam de “tropicalização confiável” dessas metodologias internacionais para a realidade brasileira.

Um diferencial importante é que todos os dados serão públicos e disponibilizados para uso em conservação, modelagem climática e planejamento territorial.

“As grandes entregas do Carbon Countdown são a geração de um banco de dados geoespacial público, com base em coletas significativas de amostras ambientais, implantação de infraestrutura de pesquisa”, explica Lílian Melo, Gerente Executiva do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras.

Mercado de carbono brasileiro

A aposta é que essa base de dados robusta e cientificamente validada dê segurança para investidores e formuladores de políticas, fortalecendo o mercado brasileiro de créditos de carbono.

“O projeto Carbon Countdown nos dá as ferramentas para criar uma base sólida e confiável de dados sobre os estoques naturais de carbono. Essas informações são essenciais para fortalecer projetos de créditos de carbono, iniciativas de restauração e ações de uso do solo”, afirma Olivier Wambersie, gerente-geral de Tecnologia da Shell Brasil.

Além dos dados, o Carbon Countdown investe na formação de equipes e no fortalecimento de laboratórios distribuídos pelo país, criando uma rede nacional de pesquisa com polos regionais em cada bioma.

Fonte: Exame

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