Uso prático do processo de digitalização e fracionamento de ativos reais, como imóveis, e financeiros começa a surgir, mas tecnologia ainda esbarra em limites da infraestrutura atual
O avanço da tokenização de ativos reais e financeiros tem gerado expectativa no mercado, mas ainda enfrenta desafios para se consolidar como padrão no sistema financeiro global. Para Stijn Vander Straeten, CEO global do Crypto Finance Group, braço de ativos digitais da Deutsche Börse, o tema mistura entusiasmo e cautela.
“É um assunto em alta, mas os casos de uso ainda estão sendo testados. Estamos em um estágio muito inicial”, afirmou, em entrevista ao Valor Investe, durante o Merge São Paulo, evento internacional que reúne empresas, investidores e executivos do setor de tecnologia e criptoativos.
Um dos principais vetores de mudança, segundo ele, é o comportamento das novas gerações de investidores, menos tolerantes a processos tradicionais. “Tente explicar para um jovem que ele precisa esperar dois dias para receber o dinheiro de uma venda. Essa lógica começa a ser questionada”, disse.
Nesse contexto, a tokenização surge como alternativa para tornar operações mais rápidas e eficientes, com possibilidade de negociação contínua e liquidação quase imediata. O movimento também inclui o uso de ativos digitais para pagamentos.
As stablecoins, criptomoedas atreladas a moedas tradicionais, já apresentam aplicações práticas, especialmente fora do horário bancário e em mercados com custos elevados de transação. “Se uma empresa precisa liquidar no fim de semana, muitas vezes só consegue fazer isso por meio de stablecoins”, afirmou.
Ainda assim, há limitações estruturais. No caso de ativos do mundo real, como imóveis, a adoção em larga escala depende da digitalização de etapas que hoje ainda são manuais, como registros e transferências de propriedade. “O benefício ainda é limitado, porque parte do processo continua fora do ambiente digital”, disse.
Apesar dos entraves, o executivo avalia que o movimento tende a ganhar força ao longo do tempo, à medida que tecnologia, regulação e demanda de mercado evoluem em conjunto.
Fonte: Valor Investe


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