Neste 7 de abril, em que é comemorado no Brasil o Dia do Jornalista, o ministro aposentado Celso de Mello, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, prestou uma homenagem à memória do médico e jornalista Giovanni Battista Líbero Badaró, cuja morte, em 1830, foi um marco na luta pela liberdade de imprensa no país.
Dono do jornal O Observador Constitucional, Líbero Badaró era um crítico duro do imperador Dom Pedro I. No dia 20 de novembro de 1830, em São Paulo, ele foi vítima de uma emboscada na qual levou um tiro, morrendo no dia seguinte. Correligionários do monarca foram acusados de terem cometido o crime.
A morte do jornalista gerou uma onda de indignação popular tão grande que se tornou um dos fatores decisivos para a abdicação de Dom Pedro I, meses depois, no dia 7 de abril de 1831.
Em sua manifestação, Celso de Mello se refere a Líbero Badaró como “símbolo da resistência ao arbítrio e de fidelidade à palavra livre”.
“Sua vida e o seu exercício do jornalismo de combate converteram-se em emblema daquilo que jamais pode ser silenciado em uma sociedade democrática: o direito de informar, de criticar e de dizer a verdade”, escreveu o magistrado.
Leia a seguir a íntegra da manifestação do ministro Celso de Mello:
Neste 07 de abril, “Dia do Jornalista”, saúdo você e, em SUA pessoa, todos os profissionais da Imprensa, cujo ofício, quando exercido com independência, coragem e responsabilidade, traduz uma das mais nobres expressões do serviço à causa da liberdade, da República, da cidadania, do interesse público e do regime democrático.
A lembrança de Líbero Badaró, médico italiano e fundador do jornal paulistano “O Observador Constitucional”, permanece, entre nós, como símbolo da resistência ao arbítrio e de fidelidade à palavra livre. Sua vida e o seu exercício do jornalismo de combate converteram-se em emblema daquilo que jamais pode ser silenciado em uma sociedade democrática: o direito de informar, de criticar e de dizer a verdade.
O atentado que sofreu ocorreu em 20 de novembro de 1830, e sua morte, no dia seguinte, tornou-se marco histórico da luta pela liberdade de imprensa no Brasil.
Associam-se à memória de Líbero Badaró expressões que se tornaram emblemáticas da resistência liberal, entre elas a frase, tradicionalmente a ele atribuída, de que “morre um liberal, mas não morre a liberdade”.
Ainda que tais palavras pertençam hoje mais ao patrimônio da memória cívica brasileira do que à crítica documental estrita, elas traduzem, com admirável força simbólica, o sentido maior de sua vida e de seu martírio político.
A liberdade de imprensa não constitui prerrogativa de uma classe.
Representa direito fundamental do povo e garantia essencial da democracia.
Onde se intimida o jornalista, vulnera-se a cidadania.
Onde se reprime a crítica, corrompe-se a vida pública.
Onde se cala a Imprensa, começa o declínio da liberdade.
Por isso mesmo, aos jornalistas de nosso País, concentro, em SUA pessoa, a minha homenagem, o meu respeito e o meu reconhecimento pela grandeza de sua missão profissional.
Porque — nunca é demasiado assinalar — sem Imprensa livre, não há democracia viva: há apenas poder sem limite e silêncio sem dignidade!!!
Fonte: Conjur


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