Coanfitriã e líder das negociações da COP31 passa a integrar grupo de 16 governos que defendem o acesso a informações confiáveis sobre mudanças climáticas e transição energética

A Austrália anunciou sua adesão à Global Initiative for Information Integrity on Climate Change, iniciativa internacional voltada ao fortalecimento do acesso a informações confiáveis sobre mudanças climáticas.

O anúncio foi feito durante a reunião de ministros do Clima da Austrália e de países do Pacífico, realizada em Sydney, que discutiu prioridades regionais para as negociações climáticas que antecedem a COP31.

Com a adesão, a Austrália passa a integrar um grupo de 16 países comprometidos com a promoção da integridade da informação climática. Reino Unido e Canadá também fazem parte da iniciativa, liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela Unesco, agência das Nações Unidas para educação, ciência e cultura, e pelo governo brasileiro.

Segundo o governo australiano, a iniciativa busca ampliar o acesso a informações baseadas em evidências científicas sobre mudanças climáticas e energia limpa. A proposta é apoiar comunidades, governos e empresas na compreensão dos riscos climáticos e no planejamento de medidas de adaptação e mitigação.

Alinhamento pré-COP31

O anúncio ocorreu paralelamente ao encontro regional conhecido como Talanoa, diálogo que reúne líderes e parceiros do Pacífico para alinhar posições antes da Pré-COP, prevista para outubro em Fiji, e da COP31, que será realizada em novembro, na Turquia.

Durante a reunião, ministros discutiram prioridades compartilhadas para a agenda climática da região. Entre os temas estiveram a manutenção da meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5°C, o reconhecimento do papel dos oceanos na ação climática, a ampliação do acesso ao financiamento climático, o fortalecimento da liderança dos países do Pacífico e a defesa de decisões orientadas por evidências científicas.

De acordo com o governo australiano, essas discussões deverão orientar a atuação conjunta da região nas negociações da COP31.

Para Melissa Fleming, subsecretária-geral para Comunicações Globais da Organização das Nações Unidas (ONU), a adesão da Austrália ocorre em um momento importante para fortalecer decisões baseadas em evidências diante da crise climática. Ela também destacou que cientistas, jornalistas e defensores da agenda climática precisam ser protegidos para que informações confiáveis cheguem à população.

“Não é possível enfrentar a crise climática sem integridade da informação. A decisão da Austrália de aderir à Iniciativa Global é uma demonstração bem-vinda de liderança em um momento crítico, em que a crise climática exige decisões baseadas em informação qualificada”, diz.

Coanfitriã da COP31 integra grupo

Fleming acrescentou que o acesso à informação climática confiável deve ser universal e afirmou que a ONU espera trabalhar com o governo australiano para fortalecer a integridade da informação antes da COP31 e nos anos seguintes.

“Informações confiáveis sobre o clima precisam estar disponíveis para todos, e os cientistas, jornalistas e defensores que produzem esse conhecimento devem ser protegidos e ouvidos”, afirma.

A diretora-geral adjunta para Comunicação e Informação da Unesco, Mariya Gabriel, afirmou que a entrada da Austrália reforça o esforço internacional para garantir que a ação climática seja guiada por informações confiáveis e baseadas na ciência. Segundo ela, o histórico de atuação do país na região do Pacífico o coloca em posição de contribuir para um ambiente de informação mais robusto em uma das áreas mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.

“A Unesco recebe com satisfação a decisão da Austrália de aderir à Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudanças Climáticas. Esse importante compromisso reforça o esforço global para garantir que a ação climática seja orientada por informações confiáveis e baseadas na ciência”, explica.

Informação climática mais acessível

Gabriel acrescentou que a organização espera trabalhar em conjunto com a Austrália para fortalecer a integridade da informação em apoio a soluções climáticas sustentáveis e inclusivas.

Representando o governo brasileiro, o secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, João Brant, avaliou que a adesão da Austrália amplia o impulso dado ao tema durante a COP30, presidida pelo Brasil. Para ele, a iniciativa cria uma ponte entre a conferência realizada no país e as negociações da COP31. “A adesão da Austrália à Iniciativa Global e à Declaração é oportuna e muito bem-vinda para o Brasil.”

Brant afirmou ainda que a expectativa é que a integridade da informação continue ganhando espaço na COP31, mobilizando governos, sociedade civil, academia e setor privado.

“A adesão amplia o impulso dado ao tema desde a COP30, presidida pelo Brasil, onde a integridade da informação recebeu um reconhecimento sem precedentes, em direção à COP31, liderada pela Austrália e pela Turquia. Esperamos que o tema continue atraindo atenção e apoio de diferentes países, da sociedade civil, da academia e do setor privado.”

Fonte: Exame

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