Este artigo propõe uma nova perspectiva sobre essas alterações, sublinhando a necessidade de um modelo de Usucapião adaptado às exigências contemporâneas

 

A Usucapião, um conceito central no direito imobiliário brasileiro, tem passado por uma série de evoluções significativas nos últimos tempos. Tenho observado que essas mudanças são um reflexo das transformações na sociedade e economia brasileiras. Este artigo propõe uma nova perspectiva sobre essas alterações, sublinhando a necessidade de um modelo de Usucapião adaptado às exigências contemporâneas.

 

O Caminho Histórico e a Finalidade da Usucapião

 

A Usucapião é um processo legal que permite a aquisição de propriedade de um imóvel através da posse contínua e prolongada. Este instituto, com raízes históricas, tem como objetivo principal garantir a função social da propriedade, evitando a sua subutilização. No Brasil, a Usucapião é regulada pelo Código Civil e pela Constituição Federal, definindo suas várias formas.

 

Existem diversas modalidades de Usucapião, cada uma com seus próprios critérios. As principais incluem a usucapião extraordinária, ordinária, especial urbana, especial rural e familiar. Essas categorias refletem diferentes cenários de posse e uso do imóvel, exigindo do advogado um conhecimento aprofundado para identificar o modelo de Usucapião mais adequado para cada caso.

 

As mudanças na legislação e as decisões dos tribunais superiores têm impactado significativamente a prática da Usucapião. A Lei 13.465/2017, que introduziu a usucapião extrajudicial, é um marco importante nessas mudanças. Elas buscam tornar o processo mais eficiente, mas também introduzem novos desafios interpretativos.

 

Usucapião Extrajudicial: Entre Agilidade e Complexidade

 

A usucapião extrajudicial, realizada em cartórios, é uma inovação que visa acelerar o processo de aquisição da propriedade. No entanto, ela exige a observância de procedimentos rigorosos e a notificação de partes interessadas, o que pode ser complexo. A experiência tem mostrado que, apesar de mais rápida, essa modalidade exige um modelo de Usucapião bem planejado e uma atuação jurídica precisa.

 

A complexidade das várias formas de Usucapião torna a orientação de um advogado indispensável. O profissional deve ter um domínio completo da legislação e da jurisprudência, além de analisar cada caso individualmente, escolhendo o modelo de Usucapião mais apropriado e as melhores estratégias de defesa.

 

No processo de Usucapião, enfrentamos uma série de desafios, como a comprovação da posse pacífica, a interrupção da prescrição aquisitiva, a delimitação exata do imóvel e a resolução de conflitos com terceiros. Estes aspectos demandam uma abordagem jurídica estratégica e fundamentada.

 

Usucapião e a Função Social da Propriedade

 

A Usucapião tem um papel crucial na regularização fundiária, promovendo a justiça social e o uso eficiente dos imóveis. Este instituto não apenas resolve disputas de posse, mas também contribui para a implementação de políticas públicas de habitação e desenvolvimento urbano.

 

A Usucapião deve continuar a evoluir, refletindo as mudanças na sociedade e no ordenamento jurídico. Novas decisões judiciais e possíveis alterações legislativas devem influenciar ainda mais este campo, exigindo dos advogados uma constante atualização e adaptação.

 

A Usucapião é um elemento fundamental do direito imobiliário no Brasil, crucial na regularização de imóveis e na garantia da função social da propriedade. As recentes mudanças legislativas e decisões judiciais ilustram a complexidade e a dinâmica deste instituto. Portanto, a atuação de um advogado especializado, capaz de compreender as nuances do modelo de Usucapião e de oferecer soluções jurídicas adequadas, é mais importante do que nunca.

 

*Igor Bortoluzzi Flores, Bacharel em Direito.

 

Fonte: Jornal Jurid

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