O Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF) acompanha o encerramento do processo eleitoral do Colégio Notarial do Brasil – Seção Bahia (CNB/BA), realizado nesta terça-feira (10), em Salvador, durante Assembleia Geral Extraordinária instalada em conformidade com o Estatuto Ssocial. Na ocasião, foram definidos os membros da diretoria que conduzirão a entidade no biênio 2026–2028 e apreciadas as contas referentes ao ciclo de gestão 2023–2025.
A chapa “Uma só Bahia, um só Notariado”, encabeçada pela tabeliã Carolina Catizane de Oliveira Almeida, foi eleita para a presidência do CNB/BA. A sessão também teve como pauta a prestação de contas da gestão anterior, reforçando o compromisso institucional da seccional com governança e transparência.
Durante a Assembleia, a diretoria eleita sinalizou continuidade estratégica e manutenção de agendas de fortalecimento da atividade notarial na Bahia, com a participação do atual presidente Giovani Guitti Gianellini na 1ª vice-presidência. A composição do novo quadro diretivo inclui ainda Roberta Lemos Lussac (2ª vice-presidência), Jorge Kazicawa Junior (1º secretário), Adriano Appolinário Gonçalves (2º secretário), Márcia Rosalia Schwarzer (1ª tesoureira) e Ana Paula de Araujo Koerner (2ª tesoureira).
No âmbito dos órgãos de controle e integridade, foram eleitos para o Conselho Fiscal: Marcilaine Faustina de Oliveira, Tiago Oliveira Silva e Cássio de Carvalho Lobão. O Conselho de Ética será composto por Naiana Luiza Lourenço de Souza e Lira, Vívian Boechat Cabral Carvalho, Alessandra Acácio de Oliveira Gomes, Lívia Lippi Silva de Almeida e Thiago Grossi Faria.
Ao assumir a presidência do CNB/BA, Carolina Catizane destacou que a atuação da entidade deverá considerar as especificidades de um estado de grande extensão territorial e realidades heterogêneas entre capital e interior. O enfoque da gestão, segundo a presidente eleita, está associado à integração regional, ao avanço responsável de soluções digitais e à interlocução institucional voltada ao fortalecimento da segurança jurídica.
No primeiro semestre de 2026, a seccional projeta intensificar ações de capacitação voltadas à plataforma e-Notariado e estruturar medidas para ampliar a presença institucional em diferentes regiões do estado, com foco em representatividade equânime e uniformização do acesso a orientações e suporte.
O CNB/CF conversou com a nova presidente sobre os planos da nova gestão, assim como suas expectativas de trabalho e evolução do Notariado Baiano.
1) Quais serão as três prioridades da sua gestão à frente do CNB/BA e que metas concretas a senhora pretende entregar ainda no primeiro ano?
Carolina Catizane: As três prioridades da nossa gestão partem de um princípio simples do notariado: ninguém faz sozinho. O CNB/BA chega até onde a classe permite que ele chegue. Por isso, esta gestão se estrutura a partir de uma diretoria plural e regionalmente representativa, reunida pelo lema: “Uma Só Bahia, Um Só Notariado”, com presença da Capital e Região Metropolitana, do Litoral Norte, Litoral Sul e Extremo Sul, do Nordeste Baiano, da Bacia do Jacuípe, do Centro-Norte e Piemonte da Diamantina, do Vale do São Francisco, do Centro-Sul, do Sudoeste e do Oeste Baiano.
A primeira prioridade é a integração regional efetiva do notariado baiano. Meta no primeiro ano: implantar caravanas regionais permanentes, ativar delegacias regionais com atuação real e consolidar canais contínuos de escuta, acompanhamento e retorno. Isso inclui avançar, de forma técnica e responsável, na revisão da tabela de emolumentos, nas pautas de ampliação de atribuições do Tabelionato de Notas e na atuação firme diante dos impactos da Reforma Tributária.
A segunda prioridade é a transformação digital responsável, inclusiva e segura. Meta no primeiro ano: executar o Projeto Bahia Digital Notarial, regularizando envios aos sistemas nacionais, oferecendo assessoramento técnico contínuo e garantindo apoio estrutural aos cartórios que ainda precisam se modernizar.
A terceira prioridade é o fortalecimento institucional e a valorização da classe. Meta no primeiro ano: estabelecer uma agenda permanente com o Judiciário, órgãos de controle e Poderes constituídos; lançar a Central Online BA; implementar a Academia Notarial; e publicar o Boletim do Notário Baiano, com transparência, informação qualificada e prestação de contas à classe.
2) Na sua leitura, quais são hoje os principais gargalos enfrentados pelos tabeliães na Bahia?
Carolina Catizane: A nossa leitura parte de um dado concreto: a gestão começou trabalhando. No ato da posse, já assinamos a Portaria nº 01/2026, que instituiu o Projeto de Mapeamento Institucional do Notariado Baiano, justamente porque não é possível enfrentar gargalos sem conhecer, com precisão, a realidade da base representada.
Os desafios decorrem da diversidade estrutural e regional do Estado da Bahia, onde coexistem realidades muito distintas de exercício da função notarial. Entre os principais gargalos, destaco: a falta histórica de integração regional efetiva — com assimetrias no acesso à informação, capacitação e suporte; a adaptação contínua às exigências digitais — que precisa ser acompanhada de apoio institucional para não se tornar desigual; e a necessidade de uma comunicação institucional mais próxima, previsível e transparente.
Por fim, há o fortalecimento do reconhecimento social e institucional da atividade notarial. O notariado precisa ocupar, de forma mais firme, o espaço que lhe é próprio como função essencial à prevenção de conflitos, à pacificação social e à segurança jurídica, perante o Poder Judiciário e perante a sociedade.
3) Como a senhora pretende fortalecer a imagem e a utilidade pública do notariado baiano, ampliando acesso, eficiência e segurança?
Carolina Catizane: Nós acreditamos que o notário não pode ser apenas um agente técnico que reage à demanda: ele precisa estar presente na comunidade onde atua, compreender seus problemas reais e ser parte da solução. É com esse espírito que a gestão já iniciou projetos que colocam o tabelião como protagonista social, e não como figura distante.
Um exemplo é a implementação de projetos institucionais de impacto comunitário, como o Projeto AEDO do CNJ, formalizado por Portaria, conectando o notariado a uma pauta sensível para a sociedade: saúde, solidariedade e vida. Esse tipo de iniciativa evidencia, na prática, o papel do tabelião como agente de cidadania, confiança pública e articulação comunitária.
A partir dessa diretriz, pretendemos atuar em três frentes: aproximação real da sociedade, com comunicação clara e campanhas educativas; ampliação do acesso com eficiência, por meio da Central Online BA, estímulo responsável ao uso do e-Notariado e padronização de orientações; e reforço permanente da segurança jurídica, com capacitação técnica contínua, boas práticas e diálogo institucional qualificado. Nossa convicção é que quanto mais presente o notário estiver na vida da comunidade, mais forte será o notariado. Proximidade gera confiança. Confiança gera relevância.
Fonte: CNB/CF


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