Além da regulação bancária, Haddad reforçou seu otimismo com a reforma tributária, citando que “o Brasil vai se tornar cada vez destino de investimento estrangeiro

Na reta final à frente do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad defendeu uma reforma estrutural nas regras do sistema financeiro para evitar novos episódios como o do Banco Master. Embora tenha pontuado que o episódio não gerou um risco sistêmico, o chefe da pasta alertou para o efeito cascata no setor. A fala foi feita durante sua participação na CEO Conference 2026, evento do BTG Pactual, nesta terça-feira (10).

“Não foi um risco sistêmico, mas ele ganhou proporções e envolveu mais de uma instituição como nós estamos vendo a liquidação de outras instituições na esteira do banco Master. Isso não pode voltar a acontecer. É uma reforma estrutural”, disse.

O ministro citou que técnicos do Banco Central já dialogam com o sistema regulado para encontrar um equilíbrio sobre a atuação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

“Muita gente diz que não se pode restringir demais o FGC para não limitar a concorrência, mas nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Ninguém pode querer manter regras que permitiram esse descalabro. Temos que aprender com esse caso e fechar as brechas que permitiram a fraude e a irresponsabilidade.”
Além da regulação bancária, Haddad reforçou seu otimismo com a reforma tributária, citando que “o Brasil vai se tornar cada vez destino de investimento estrangeiro em função das vantagens competitivas que já tem, mas sobretudo em função da reforma tributária”.

O ministro também criticou o olhar do mercado local, afirmando que o estrangeiro vê o Brasil de forma mais positiva. “A propaganda negativa vem mais de dentro do que de fora”, disse, citando o avanço da bolsa, com entrada de fluxo estrangeiro, e o dólar em queda.

Ele também rebateu as críticas sobre os nomes indicados para a diretoria do Banco Central, como o de Guilherme Mello (atual secretário de Política Econômica da Fazenda) e Tiago Cavalcanti (especialista em desenvolvimento econômico), citando que são nomes “para avaliação”, e que não há nada cravado.

“Quando surgiu meu nome para a Fazenda, foi muito pior. Teve gente que se desesperou, vendeu ações e deve ter se arrependido. É do jogo a pessoa não gostar”, finalizou o ministro.

Fonte: Valor Investe

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