- Com US$ 9 trilhões, Brasil terá segunda maior transferência de capital do mundo, atrás apenas dos EUA
- Jovens herdeiros lideram agenda filantrópica nas famílias e demandam impacto socioambiental positivo
Em cerca de 20 a 25 anos, mais de US$ 84 trilhões devem mudar de mãos, em um processo de transferência de patrimônio entre gerações de famílias de alta renda.
No Brasil, são mais de US$ 9 trilhões (R$ 50 trilhões), a segunda maior transferência de capital no mundo, após os EUA, segundo o relatório “Global Wealth Report 2025” da UBS.
Quem trabalha com impacto socioambiental positivo pensa no potencial de transformação que pode ser gerada a partir dessa mudança de titularidade de recursos. Já quem trabalha com gestão financeira está preocupado com o risco de perda de clientes, que pode chegar a 70%, segundo dados da Legacy Capitals, gestora de recursos independentes. Para nós, da Sitawi Finanças do Bem, esses caminhos se cruzam.
Na pesquisa “The Great Wealth Transfer: Wealth Management is More than Just Money”, conduzida pelo Wall Street Journal Intelligence para a Equitable Advisors em 2024, apenas um terço dos respondentes indicou que pretendia manter o assessor financeiro após herdar o patrimônio.
Por outro lado, 85% dos respondentes indicaram que esperam que assessores entendam suas vidas para além do patrimônio —quase o mesmo percentual que indicou a importância dos assessores entenderem seus objetivos financeiros e tolerância a risco (88%).
Na prática, quanto maior a “densidade de relacionamento” com a próxima geração, maior a chance de reter a gestão dos recursos quando acontece uma transição geracional. E a nova geração se importa com o planeta e com as pessoas (para além da preservação de seu patrimônio).
Segundo o estudo “Filantropia em Family Offices” de Juliana de Paula e Cássio Aoqui, 47% dos MFO’s (Multi Family Offices) apontam a nova geração como principal impulsionadora da agenda filantrópica, enquanto 25% destacam o papel das mulheres.
Além disso, a ansiedade climática atinge em cheio os mais jovens: 79% dos membros da geração Y (millenials) e 81% dos membros da geração Z no Brasil reportam ansiedade sobre impacto ambiental, segundo a pesquisa “Deloitte Global 2025 Gen Z and Millennial Survey, Brazil CountryProfile”.
Quando os clientes —ou seus herdeiros— os abordam para falar de temas de filantropia ou investimento de impacto, os assessores têm duas opções.
Podem seguir a cartilha do risco-retorno ou usar a oportunidade para demonstrar que estão bem antenados e que podem auxiliar seus clientes no direcionamento do capital, de acordo com critérios ajustados às novas gerações, promovendo conversas que vão além do dinheiro.
Não estamos falando apenas de ESG, ainda que seja um bom começo, mas sim de pensar de forma mais holística o papel do capital para famílias de alto patrimônio e trazer especialistas conforme as necessidades.
Essa tendência está presente há muito tempo em casas maiores ou em geografias onde a filantropia é mais estabelecida, mas no Brasil está apenas começando —há somente um MFO que inclui impacto em seu posicionamento institucional. No entanto, observamos movimentos de alguns escritórios pensando em estruturas para oferecer oportunidades de filantropia para seus clientes.
Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) indicam um crescimento de 82,5% no número de family offices no país, intensificando a disputa por relevância e valor percebido junto às famílias atendidas.
Para além dos ganhos estratégicos e relacionais, há também uma transformação inevitável diante das profundas desigualdades sociais brasileiras e dos efeitos cada vez mais evidentes da crise climática no país.
Integrar a filantropia à gestão patrimonial representa uma oportunidade concreta de alinhar capital a soluções que gerem valor socioambiental, ao mesmo tempo em que reforça o legado e a relevância dessas famílias no longo prazo.
Pesquisas como “Famílias de Alto Patrimônio no Brasil – Investimento de Impacto e Filantropia”, feita pela Sitawi Finanças do Bem e, mais recentemente, “Filantropia & Family Offices – Perspectivas e Oportunidades da Agenda de Filantropia em Family Offices”, assim como o curso “Filantropia e Investimento de Impacto para Gestores e Assessores de Patrimônio” —realizado pela Sitawi em abril de 2026— representam fontes valiosas de informação e capacitação nessa jornada para além do dinheiro.
No final das contas, fazer o bem para a sociedade e o planeta também pode ser um bom negócio.
Fonte: Folha de S.Paulo


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