Relatório da Bitso mostra que moedas digitais atreladas ao dólar já respondem por 40% das compras de criptoativos na região
Pela primeira vez, as stablecoins ultrapassaram o bitcoin como o ativo digital mais comprado na América Latina. Segundo o relatório Stablecoin Landscape Report, da Bitso, as moedas USDC e USDT, criptomoedas lastreadas em dólar, responderam juntas por 40% de todas as compras de criptoativos realizadas em 2025. No mesmo período, o bitcoin concentrou 18% das aquisições.
As stablecoins buscam manter seu valor igual ao de uma moeda fiduciária, como o dólar o real, e carregam a tecnologia necessária para reduzir o tempo e o custo das operações transfronteiriças. Ou seja, por meio da rede blockchain (sistema onde as transações de criptomoedas são registradas), as pessoas ou empresas podem realizar operações financeiras para qualquer lugar do mundo em tempo real.
Essas vantagens ajudaram na popularização desta classe de ativos digitais em um período de depreciação do bitcoin e refletem uma mudança no perfil dos usuários. Diferentemente dos anos anteriores, quando esses ativos eram utilizados para a compra de outras criptomoedas, investidores e empresas passaram a adotá-los como instrumento de preservação de valor, realização de pagamentos e acesso a mercados financeiros globais.
“O volume de transações relacionadas a stablecoins processadas pela Bitso Business cresceu 81% em relação ao mesmo período do ano anterior, refletindo a crescente demanda por soluções de liquidação em tempo real, gestão de tesouraria e liquidez internacional”, destacou a Bitso em relatório.
O aumento da adoção também tem sido acompanhado pelo aumento de novos participantes desse mercado. Embora as empresas de negociação (traders) e negociações de balcão (OTC) ainda dominem esse mercado, com representação de 52,7% da base de clientes no primeiro semestre de 2026, o uso de stablecoins também se mostra presente em agregadores de pagamentos (19%), empresas de remessas internacionais (17,4%) e no setor de games (11%).
“A coexistência de negócios intensivos em liquidez, como mesas OTC, ao lado de empresas de pagamentos e remessas internacionais, mostra como as stablecoins estão conectando cada vez mais os mercados de capitais aos pagamentos da economia real”, destacou a empresa de serviços financeiros digitais em relatório.
Os dados apresentados no estudo têm como base uma amostra de cerca de 1.900 clientes institucionais da Bitso Business. O levantamento contempla os países onde a empresa mantém operações diretas, como Argentina, Brasil, Colômbia e México, e também mercados como Chile, Peru, Estados Unidos e Europa, onde atua por meio de parcerias locais para oferta de serviços financeiros.
Fonte: E-Investidor


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