Dylan Taylor, empresário do setor espacial, diz que transferir grandes patrimônios reduz incentivo de herdeiros construírem suas próprias vidas

Dylan Taylor ganhou seu primeiro milhão aos 27 anos. No ano passado, ele abriu o capital de sua holding do setor espacial, a Voyager Technologies, na Bolsa de Valores de Nova York, acumulando muitos outros milhões. Mas não espere que seus dois filhos herdem tudo isso.

“Não sou um grande defensor da transferência de riqueza entre gerações”, disse o fundador e filantropo à Fortune. “Não acho que isso seja bom para os filhos. E, francamente, também não acho que seja bom para a sociedade.”

É por isso que, assim como o cofundador da Microsoft, Bill Gates, Taylor estabeleceu um limite rígido para o que seus filhos receberão no futuro. “É muito dinheiro, mas tem oito dígitos, não nove”, respondeu Taylor ao ser questionado sobre quanto exatamente seus filhos podem esperar herdar.

Quando se tem uma fortuna como a de Taylor — cujo patrimônio líquido ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão no ano passado graças à oferta pública inicial de ações (IPO) da Voyager, a um impressionante portfólio imobiliário e a investimentos de capital de risco em empresas como Robinhood, Relativity Space e Calm — há apenas uma quantidade limitada de dinheiro que se consegue gastar em uma única vida. Em algum momento, a conversa passa a ser sobre o que fazer com o restante.

“Chega um ponto em que, quando você tem algumas centenas de milhões de dólares, simplesmente não consegue gastar tudo o que possui”, explica Taylor. “Então a questão passa a ser: quanto você quer deixar para os seus filhos?”

A resposta dele: o suficiente para oferecer uma rede de proteção, mas não tanto a ponto de eliminar a necessidade de construírem algo por conta própria.

Até agora, parece estar funcionando. Seus filhos já têm idade suficiente para acessar esses recursos, mas, segundo ele, ainda não tocaram nesse dinheiro. “Eles querem conquistar as coisas por conta própria”, acrescenta Taylor. “E é exatamente isso que você deseja. É isso que você espera.”

E tudo o que exceder esse limite de oito dígitos — potencialmente centenas de milhões de dólares, ou até mais — será destinado a causas filantrópicas que ele apoia, incluindo a Space for Humanity, sua organização sem fins lucrativos que envia pessoas ao espaço.

Este fundador prefere financiar a filantropia

O número de bilionários no planeta continua crescendo. E Taylor observou de perto — sem grande admiração — como muitos deles encaram a questão do que fazer com o dinheiro que jamais conseguirão gastar.

“Já participei de reuniões em que as pessoas ficam obcecadas com deduções fiscais, fundos fiduciários e maneiras de transferir mais dinheiro para os filhos”, diz Taylor. “Isso simplesmente não faz sentido para mim.”

“Eu não fico obcecado com esse tipo de dedução”, acrescenta. “Se você teve muita sorte na vida, deve pagar seus impostos e contribuir para a sociedade. Para mim, a questão é: quais são as necessidades não atendidas da sociedade e como podemos ajudar?”

Ele admite que, se tivesse “um dólar sobrando”, preferiria doá-lo para instituições de caridade em vez de entregá-lo ao governo, porque confia mais que o dinheiro chegaria a quem realmente precisa.

Sua filosofia sobre doações é clara: ele prefere ver esse dinheiro ajudando pessoas hoje do que acumular o máximo possível de riqueza para tataranetos que jamais conhecerá.

“Se esse dinheiro for parar em algum fundo fiduciário que só beneficiará minha quinta geração no ano de 2200, não acho que isso esteja alinhado com o espírito de tornar o mundo um lugar melhor.”

E ele está longe de ser o único a pensar assim.

Até a classe média não estão deixando toda a sua riqueza para os filhos

Taylor faz parte de um grupo crescente de ultrarricos que questionam se transmitir fortunas gigantescas para os descendentes realmente é uma boa forma de educar os filhos.

O cofundador da Microsoft, Bill Gates, revelou que pretende deixar aos filhos menos de 1% de sua fortuna, acreditando que é melhor que eles construam o próprio sucesso do que simplesmente o herdem.

Depois que o fundador da Apple, Steve Jobs, morreu, sua viúva, Laurene Powell Jobs, afirmou que os bilhões que herdou não serão repassados aos três filhos do casal.

Jobs, que tinha um patrimônio estimado em aproximadamente US$ 7 bilhões quando morreu, em 2011, “não tinha interesse” em construir riqueza hereditária, disse sua esposa ao New York Times em 2020. “Se eu viver o suficiente, isso termina comigo.”

Jeff Bezos, da Amazon, também já indicou que a grande maioria de sua fortuna será destinada à filantropia, e não aos seus quatro filhos.

Outros empresários e celebridades ricos também vêm impondo regras e restrições rigorosas para o acesso ao patrimônio, como exigir que os filhos obtenham dois diplomas universitários antes de receberem o dinheiro.

Mas não são apenas os bilionários. Mesmo pessoas com contas bancárias muito mais modestas estão tomando a mesma decisão e optando por não transferir seu patrimônio para os descendentes.

Apenas um em cada cinco baby boomers espera deixar alguma herança, segundo uma pesquisa da Northwestern Mutual — embora mais da metade da geração Z e quase 60% dos millennials afirmem contar com uma herança para alcançar segurança financeira.

E não se trata de uma geração que simplesmente ainda não organizou seu planejamento sucessório. Na verdade, 60% já possuem testamento.

Porém, seus filhos e netos têm mais chances de encontrar instruções para o funeral do que dinheiro ou a escritura da casa da família. Isso ocorre porque a maioria está planejando explicitamente não deixar patrimônio algum, e apenas 11% afirmam que esse é seu principal objetivo financeiro.

Fonte: InfoMoney

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